O ano de 2025 foi rico em decisões dúbias por parte do governo que, tentando tapar o sol com a peneira, abordava suas questões de forma tecnicamente insustentáveis. Assim, por exemplo, quando do aumento do IOF – Imposto sobre Operações Financeiras, o Ministro da Fazenda enfatizou que o IOF era um “Imposto Regulatório” e que não afetaria a economia. Ora, todas as pessoas com dívidas no cartão de crédito, no cheque especial, nos empréstimos consignados e nos financiamentos da casa própria e, em todos os tipos de financiamentos às pessoas físicas e jurídicas pagaram um IOF maior e, portanto, foram impactadas sim. Aliás, o “Imposto Arrecadatório” gerou uma receita adicional de R$ 12 bilhões aos cofres públicos no ano passado.
Neste ano de eleição presidencial e para o Congresso Nacional, assistimos a decisões que impactam a Sociedade Brasileira, Deixando um ambiente de perplexidade e de incertezas.
O Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, convenientemente, enfatizou, ao dar seguimento ao projeto do governo, do fim da escala de trabalho de 6 x 1, que será uma forma de dar maior dignidade ao trabalhador brasileiro. Somos um País de renda média/baixa e a produtividade do trabalho em nosso País, equivale a somente 25 % de um trabalhador americano. A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, escala 5 x 2, conforme números divulgados pelo IPA – Instituto de Pesquisa Aplicada, elevaria o custo da mão de obra em 7,84 % e, se reduzida para 36 horas semanais, escala 4 x 3, os custos aumentariam em 17,57 %. Essa conta, sem considerar a perda da produção empresarial, será paga pelos consumidores e com pressões na inflação.
O Congresso Nacional , voltado para as eleições, tenta adiar a instalação de uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito acerca do Banco Master. As perdas para o País são imensuráveis e o Fundo Garantidor de Créditos já desembolsou R$ 50 bilhões, pagos, indiretamente, pelo contribuinte brasileiro.
Enquanto esses fatos e muitos outros acontecem, o IPC – Índice de Percepção de Corrupção da ONG – Transparência Internacional, divulgou que o Brasil mantém sua pior posição em ranking de corrupção, estando na 107 posição entre 182 Nações avaliadas.
Entrementes, o rombo de R$ 12 bilhões dos Correios, que foram, em maior parte, cobertos pelo Tesouro Nacional, já está, gradativamente, desaparecendo do noticiário no meio político.
A questão da CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito do INSS – Instituto Nacional do Seguro Social, caminha lentamente conforme disponibilidade e vontade política, já decorridos um longo prazo, nada temos de providências tomadas e definições sobre essa questão.
Cabe ressaltar, que essas outras realidades, estão muito distantes das prioridades do País e equidistantes da música “O samba de uma nota só”.
Messias Mercadante de Castro é professor de economia do Unianchieta, membro do Conselho de Administração da DAE S/A e Consultor de Empresas.