NOSSA REVERÊNCIA A SCHUMACHER

Em livro de minha autoria e da economista, Lúcia Maria Alves de Oliveira, “A Gestão Ética, Competente e Consciente”, Editora M. Books-SP, de 2010, prestamos um tributo à memória do economista, filósofo, jornalista e empreendedor, Ernst Friedrich Schumacher, considerado por muitos, em seu tempo, como um novo guru da economia, por importantes trabalhos publicados e exemplos de grandes sensibilidades econômica e, principalmente, social.

Entre os nossos textos, escrevemos sobre o seu pensamento acerca de “Uma Audácia Ruptura”, que pela sua contemporânea realidade ao momento presente da economia mundial, reproduzo abaixo:

“Vivemos hoje o momento decisivo de romper com modelos antigos, como propõe Hazel Henderson (economista e ambientalista americana, seguidora dos princípios de Schumacher, com quem nos reunimos, quando da formatação deste livro), acerca das ferramentas de avaliação, quer do passado, quer do presente, baseadas em modelos microeconômicos e usados para medir “sucesso” econômico e empresarial, que estão hoje obsoletas, a julgar pelos pontos de vista da justiça global; do desenvolvimento humano; da conservação ambiental e da e da administração dos recursos escassos. Aliados aos fatores econômicos, o grande desafio atual dos negócios é, sem dúvida, a introdução progressiva e a sedimentação de princípios éticos nas empresas e nos negócios”.

O renomado físico, Fritjof Capra, também contemporâneo de Schumacher, refere-se a atitudes e atividades que são altamente valorizadas nesse sistema econômico que incluem a aquisição de bens materiais; a expansão dos negócios; a elevada competição e a obsessão pela tecnologia e ciência pesadas, não incluem, ainda, como devido, a valorização do trabalho; do ser humano. Ao atribuir excessiva ênfase a esses valores, nossa sociedade encorajou a busca de metas perigosas e antiéticas e institucionalizou muitos dos pecados mortais citados pelo cristianismo : a gula, o orgulho, o egoísmo e a ganância.

A realidade presente nos mostra que esses valores estão presentes nas atuações humanas em seus procedimentos e atitudes materiais e, infelizmente, esses objetivos provocaram o hábito de uma visão

empobrecida nas organizações , focada exclusivamente em resultados financeiros, desprezando aspectos importantes, não ligados diretamente à obtenção do lucro, como harmonia; solidariedade; respeito humano; cooperação e … sentimentos amorosos.

Schumacher escreveu, entre outros livros e trabalhos, um clássico de cunho filosófico, intitulado “Um Guia para os Perplexos” (1977) que foi reconhecido como a melhor fonte para o conhecimento da Grande Cadeia do Ser, por Ken Wilber, nome contemporâneo e de grande expressividade na área de estudos filosóficos e espirituais.

Nas questões tecnológicas, coube a Schumacher o protagonismo pela introdução do conceito de Tecnologia Intermediária que inspirou muitos países em desenvolvimento e desprovidos de recursos para grandes investimentos de capital, mas abundante mão de obra a desenvolverem projetos simplificados e socialmente inclusivos.

Na Inglaterra existe o Instituto Schumacher, uma reverência, ao mestre Ernst Friedrich Schumacher.

Messias Mercadante de Castro é professor de economia do Unianchieta, membro do Conselho de Administração da DAE S/A e Consultor de Empresas.