Qualquer redução nos juros básicos, resulta, de forma positiva para a economia brasileira, porém é preciso relativizar os seus benefícios. De certo é que com uma dívida interna do Setor Público – União, Estados, Municípios e Empresas Estatais, de cerca de R$0,4 trilhões, a redução de 0,25 % nos juros básicos, representará uma redução no custo financeiro da dívida de aproximadamente R$ 15 bilhões a R$ 20 bilhões por ano. Quanto ao custo do dinheiro no mercado financeiro, não provocará redução de mais valia e, também, principalmente, pelo aumento do risco de liquidez nos empréstimos concedidos às pessoas jurídicas e físicas.
Os juros, atualmente praticados nos empréstimos concedidos pelas instituições financeiras nacionais, estão muito elevados, impedindo a evolução dos investimentos empresariais e, dado o baixo nível de crescimento da nossa economia que, segundo projeções do FMI – Fundo Monetário Nacional, poderemos ter um crescimento do PIB – Produto Interno Bruto somente de 1,9 % neste ano. Com a economia andando de lado, o aumento da concorrência empresarial pela sobrevivência, procura uma significativa redução na margem operacional que fica aquém do custo financeiro dos investimentos financiados, tornando-os quase inviáveis.
Outros condicionantes subjacentes concorrem para o baixo desempenho da economia brasileira: a incerteza quanto a não desprezível recessão mundial e, o aumento da inflação global; o baixo nível de poupança interna, que não vem se transformando em investimentos; também o elevado nível de endividamento das empresas nacionais, nos três setores produtivos – primário, secundário e terciário e, dos consumidores; a política fiscal do governo que concorre para o aumento galopante da dívida interna do nosso País, entre outras.
Há, entrementes, paralelamente, uma pressão inflacionária, dos combustíveis, energia, alimentos e custo dos serviços, que provocam incertezas e que solapam o poder de compra das nossas famílias. Pesquisa Focus, divulgada na semana passada, apontou a tendência de uma inflação para este ano, de 5,3 %, portanto, superior ao limite máximo definido pelas Autoridades Monetárias, de 4,5 %.
Todas essas questões requerem o planejamento de ações imediatas e contínuas, firmes em seus propósitos, de forma a corrigir os seus impactos negativos sobre a economia brasileira e seus Agentes Econômicos. Postergar suas ações impõe, como vem ocorrendo, um ônus que pesa sobremaneira sobre o País e o povo brasileiro.
Não se pode planejar para o futuro, o que precisa ser feito no presente.
Pesquisa recente sobre o poder de competitividade de setenta países, o Brasil ficou na 65ª posição em competitividade, menos competentes do que o Brasil, ficaram países subdesenvolvidos.
A verdade é que os erros praticados na condução da economia brasileira, por décadas, já custa caro para a sociedade brasileira e, em particular, para as empresas nacionais e seus trabalhadores.
Messias Mercadante de Castro é professor de economia do Unianchieta, membro do Conselho de Administração da DAE S/A e Consultor de Empresas.