QUADRILHA NA CADEIA

Segundo o antropólogo Roberto da Matta, que estudou o comportamento dos
brasileiros no trânsito e nas filas dos bancos, temos grande resistência à
igualdade. A desigualdade é a sensação mais comum e confortável para todos,
pois com ela o Brasil é sempre o mesmo, garantindo que nada muda. Em uma
sucessão de escândalos de corrupção, o Estado do Rio viu alguns dos
principais líderes políticos dos últimos 20 anos irem para cadeia, todos
passaram pelo palácio e pela poltrona de quem comanda o segundo estado mais
importante do país. Nas últimas duas décadas, todos os que sentaram lá
acabaram tendo que acertar contas com a Justiça. Dos últimos quatro eleitos,
três estão atrás das grades: Anthony
<http://g1.globo.com/politica/politico/garotinho.html> Garotinho, sua
esposa, Rosinha Matheus, e Sérgio Cabral. O atual governador, Luiz Fernando
Pezão, já foi citado em delações premiadas e teve o mandato cassado pelo
Tribunal Regional Eleitoral, mas está recorrendo. Todos foram aliados, mas
Garotinho e Cabral romperam em 2006 e só voltaram a ficar perto um do outro
há um ano, quando ficaram presos em Bangu. Esse é só mais um caso que choca
a nação. É muito difícil prever o impacto da prisão desses sujeitos sobre a
política nacional. Um fator que reduz o impacto negativo de tudo isso é a
absurda falta de oposição política militante, pois estão quase todos
enrolados, em digno abraço de afogados. Os historiadores dizem que a falta
de oposição política tende a migrar todas as manifestações para a cúpula do
governo federal, nesse caso, mais enrolado que isso… O exemplo está no tão
falado choque de capitalismo do governo Temer, com a existência de seis
programas voltados para a modernização da máquina administrativa e econômica
que na prática nunca aconteceu e está implodindo sua base de apoio político.
O Congresso Nacional está um semideserto e ninguém sente falta dele.
Trata-se do pior Congresso da história, talvez pelo fato de sabermos de tudo
e de todos. Para onde nos conduziremos? O maior legado da implosão da
política nacional será no processo eleitoral de 201. Haverá uma mudança
radical na configuração do Congresso Nacional e em conseqüência na política.
Espero que a partir de agora não precisemos piorar tanto para melhorarmos um
pouco, e que a corrupção um dia não mais faça parte da cultura dessa nação,
fazendo que o “País do Futuro” passe a ser definitivamente o “País do
Presente”.