Reino Unido entra em recessão novamente

A economia do Reino Unido entrou em recessão no primeiro trimestre, conforme anunciado ontem, resultado de uma série de falhas, nas mudanças das políticas tributárias (Reuters.com).

Os dados demonstram que o PIB caiu 0,2% no primeiro trimestre de 2012, além da queda de 0,3% no final de 2011, o que preenche um dos critérios da recessão.

O declínio de 3% na construção civil foi um dos principais responsáveis pelos resultados negativos, no primeiro trimestre desse ano. O setor de serviços encolheu 0,1%, a mesma queda apresentou a indústria manufatureira.

O setor mais fraco foi a indústria extrativa, ao passo que a indústria de utilitários eletrodomésticos cresceu 1.3%.

O anúncio desses dados foi um duro golpe na confiança da economia britânica, que segundo os analistas, até aqui vinha dando a impressão de recuperação.

No segundo semestre, Londres sediará as Olimpíadas, o que pode ser um fator positivo na recuperação, porém, esse fato não anima muito tanto os especialistas, quanto os empresários.

O primeiro-ministro David Cameron encontra-se numa situação delicada, além da necessidade de explicar esse novo escorregão para a recessão, após a nação já ter bebido desse cálice em 2008, e que durou até meados de 2009, ainda pesa sobre seus ombros as ligações de seu governo com Rupert Murdoch, protagonista do maior escândalo da mídia mundial pelo uso de hackers para a invasão da privacidade de personalidades artísticas e políticas.

Em 2010 George Osborn, chefe do tesouro, apresentou um dos orçamentos mais duros em décadas, com o objetivo de eliminar as principais causas do déficit público até 2015.

Porém para os analistas econômicos, os cortes nos gastos públicos e o excessivo aumento dos impostos agiram negativamente na economia, ao mesmo tempo em que o desemprego aumentou.

O Reino Unido não pertence à Comunidade Europeia, e portanto está fora da zona do Euro, no entanto, sua economia tem grande participação e influência no desempenho da atividade econômica de seus vizinhos.

A atual recessão poderá agravar ainda mais a frágil situação em que se encontram as nações da União Europeia, principalmente pelos últimos acontecimentos nelas, fruto de uma política de austeridade, que parece ter ultrapassado a capacidade de sacrifício de países como a Holanda, Grécia, Portugal, Espanha, Itália, e recentemente, também pelas incertezas políticas no segundo turno das eleições presidenciais na França.