É, em uma análise retrospectiva possível observar que a gestão pública nacional ficou prejudicada durante todos esses anos com a falta de um planejamento econômico estratégico, e, que, ao contrário, implementou continuamente, medidas corretivas e ações de resultados imediatos e de curto prazo, quase sempre voltados para objetivos de cunho político para a continuidade no poder.
Como ocorreu no passado e, ocorre igualmente neste ano as medidas como, o desenrola1; desenrola2; o financiamento para a compra de automóveis para os motoristas de aplicativos; os empréstimos consignados; o vale gás; o subsídio nas contas de luz e etc., todos com objetivos sociais, mas principalmente, com os olhos voltados para a reeleição neste ano e, quase todos onerando as contas públicas, ampliando déficits primários e aumento da dívida interna do país.
Há, quase sempre, um olhar míope dos governos; porque miram o curto prazo e provocam danos maiores nas contas públicas, nos orçamentos do passado e do presente, dificultando a política monetária do Banco Central do Brasil que precisa praticar juros básicos, a Selic, em patamares elevados para combater a inflação.
Agora, tramita na Câmara dos Deputados um projeto de Emenda Constitucional, do fim da escala de trabalho 6 x 1, com a jornada de 44 horas semanais, para uma jornada de 5 x 2, com cinco dias de trabalho de oito horas diárias e 40 horas semanais, sem redução dos salários e encargos sociais.
O eminente professor da USP, voltado para as Relações de Emprego e Trabalho, Hélio Zylberstajn, que é um dos principais especialistas nessa área no Brasil, enfatizou que “este projeto pode provocar uma alta rotatividade da mão de obra nas empresas e diminuição da massa salarial”. “Não vai acontecer de imediato, mas, gradualmente”. Ele apontou para a tendência da substituição de mão de obra com um salário maior por outra com salário menor.
A redução proposta para a redução da jornada, sem redução salarial, vai ter um custo duplo para os empregadores: A redução da produção com um custo relativamente maior da folha de pagamento. O objetivo político pode resultar positivo no curto prazo e negativo no médio prazo.
É dessa forma que caminhou e caminha o Brasil: em primeiro lugar a política e, depois a racionalidade econômica.
O resultado, até aqui, é que temos um PIB- Produto Interno Bruto de cerca de R$ 13 trilhões e uma dívida interna de aproximadamente R$ 10,5 trilhões, ou seja, de 80,7%, com tendência para chegar a 85% já em final de 2027.
Com essa relação acima, continuaremos com juros básicos elevados; baixo nível de poupança interna; sofrível nível de investimentos com um resultado de baixo nível de crescimento econômico.
Messias Mercadante de Castro é professor de economia do Unianchieta, membro do Conselho de Administração da DAE S/A e consultor de empresas.messiasmercadante@terra.com.br