O horror estava estabelecido e o “teatro de guerra” abarcava as maiores potências mundiais, desde os Estados Unidos, o Reino Unido, o Japão, a União Soviética, toda a Europa Ocidental, o Leste Europeu e, perifericamente, o Sudeste Asiático, o Oriente Médio e a América Latina, entre outros países.
O esforço de guerra provocou o deslocamento da “curva da possibilidade de produção da Sociedade”, de produzir bens e serviços para a atividade bélica, o que agravou , mais uma vez, o endividamento dos Países, o – desemprego estrutural, a recessão econômica e o desmoronamento da infraestrutura instalada.
Estima-se que morreram 70/80 milhões de pessoas no mundo. O conflito mais letal da humanidade.
Já em outubro de 1944, com perspectivas concretas do fim da guerra, os países iniciaram um processo de negociações multilaterais, para encontrar formas para a volta das relações internacionais e, dentro do possível, estabelecer princípios geopolíticos e econômicos, para a retomada da produção civil e a recuperação de suas economias.
Assim, ao final de 1944, definiu-se pela criação do FMI – Fundo Monetário Internacional, através da reunião de cerca de 100 países, em Bretton – Woods – USA e, na mesma reunião, a origem do BIRD – Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento – Banco Mundial – Organizações Financeiras Multilaterais, que tiveram como objetivos principais, estimular a retomada das trocas internacionais; do crescimento econômico global; a ampliação de empregos e renda e, em particular, a recuperação da infraestrutura da Europa, combalida pela guerra.
Em 1948, foi criado o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento – Banco Mundial, para financiar a recuperação e a retomada do crescimento econômico da América Latina.
Também, em 1948, foi criado o primeiro Bloco Econômico de Livre Comércio – o Mercado Comum Europeu, com 19 países. Hoje a União Europeia com 27 países.
Assim estava estabelecida a arquitetura financeira e comercial, como âncoras estruturais, que sustentariam as bases para a retomada do desenvolvimento econômico e social, globalmente.
Até então, as preocupações maiores dos atores, ficaram desancoradas de um outro lado dessas iniciativas – o endividamento dos países membros.
Subjacentes a esses fatos, o mundo passou por outras crises estruturais, que abalaram a atividade econômica global, como as crises do petróleo em 1974 e 1979; a crise financeira dos países emergentes, no início dos anos 80. Todos esses fatos, corroboraram para uma intercadência na atividade econômica global e o crescimento do endividamento mundial dos países.
Atualmente, temos uma convivência cinematográfica, de um baixo nível de crescimento econômico no mundo; uma inflação persistente e crescente; juros elevados praticados pelos Bancos Centrais ao redor de todo o mundo e um elevado nível de endividamento dos países, em sua maioria, que abalam a estabilidade das cambiais, através da instabilidade das taxas de câmbio.
Apenas, como referência: percentual da relação entre a dívida interna de alguns países, em relação aos respectivos PIB – Produto Interno Bruto: – – – Estados Unidos 120 %; Japão 234 %; China 100 %; Cingapura 161 %; Itália 137 %; França 116 % e Brasil 83 %. Como decorrência, os Bancos Centrais Globais estão praticando elevadas taxas de juros, que estimulam a especulação financeira e desestimulam a atividade econômica.
Em meio a instabilidade econômica global, temos um cenário de crises climáticas causadas pelo El Niño, com terremotos, como na Colômbia e Venezuela, tsunamis com correntes de lamas no Nepal e no Tibete, grandes enchentes no Rio Grande do Sul e, em menor nível, mas também nos Estados do Paraná e Santa Catarina. Isso tudo com fatos degradantes para a história da humanidade, como as guerras entre a Rússia e a Ucrânia; Israel e os grupos Hammas e Hezbollah e a guerra entre Israel e Estados Unidos contra o Irã.
Um triste cenário global que, inevitavelmente, afeta o equilíbrio e o estado de espírito da humanidade.
Messias Mercadante de Castro é professor de economia do Unianchieta, membro do Conselho de Administração da DAE S/A e Consultor de Empresas.