BREVE CENÁRIO ECONÔMICO

“Ficar de frente para o mar, e de costas para o Brasil, não vai fazer deste
lugar um bom País”, escreveram Milton Nascimento e Fernando Brant, na música
Notícias do Brasil, aonde as notícias chegavam de dentro do País. Neste
mundo globalizado as notícias relevantes vêm também do exterior. Ficar de
costas para elas, também não vai fazer deste lugar um bom país. Em momentos
de resultados econômicos ruins no mundo todo, “o alerta vermelho” soa todos
os dias em Brasília. Uma breve análise sobre a economia mundial pode ajudar
a entender o momento atual e os riscos futuros. Há duas forças econômicas
que estão moldando o cenário internacional. A primeira é a distribuição
geográfica entre o consumo e a poupança no mundo. Os Estados Unidos são os
grandes consumidores mundiais, gastando além de sua produção, gerando um
déficit em sua conta corrente e uma dívida externa crescente. O resto do
mundo exporta os bens necessários para esse consumo, financiando o déficit
americano principalmente com a alta poupança existentes nos países asiáticos
e, mais recentemente, dos países produtores de petróleo. A segunda é a
crescente incorporação da China, e seu enorme contingente populacional, ao
mercado mundial. O crescimento acelerado da China tem como motor o
investimento, financiado com uma enorme poupança doméstica. Essa ordem
mundial gera resultados favoráveis para os países em desenvolvimento. O
crescimento mundial tem sido acelerado com base nesses dois motores, EUA e
China. Os EUA vão ter que gastar menos e o resto do mundo, mais. O déficit
americano terá que cair e, portanto, por simetria, os superávits elevados no
resto do mundo terão de diminuir. A era do crescimento com base
exclusivamente nas exportações parece ter chegado a seu limite. O Fundo
Monetário Internacional (FMI) está muito mais pessimista em relação ao
Brasil e a outros emergentes do que parece indicar, à primeira vista, seu
novo estudo sobre as perspectivas globais. O relatório destaca a
desaceleração das economias brasileira, indiana e chinesa e atribui esse
efeito, em parte, à crise internacional e às políticas de ajuste. As
projeções independentes de crescimento do PIB do Brasil em torno de 2,0%
para 2013 e 2014 já se materializam no dia a dia de cada um de nós. Já o
governo promete resultados melhores neste semestre e um crescimento superior
a 3% para 2014, mas ninguém crê. Mas qual será o desempenho econômico
possível nos anos seguintes? A resposta depende do alcance da política
econômica, por enquanto voltada principalmente para objetivos limitados e
aparentemente eleitoreiros. A Presidente Dilma que também é economista,
precisa cuidar mais de perto do caso.