DESGOVERNO MORIBUNDO

Na saúde ou na doença a idéia de retomar a CPMF encontrou mais inimigos do
que amigos de peso. O ministro da Saúde, Arthur Chioro, confirmou na semana
passada a proposta do governo de um novo imposto para financiar a saúde. A
motivação vem das dificuldades do governo para cobrir as despesas de 2016.
Na prática o governo está falido. O velho imposto com nova roupagem seria
cobrado sobre as transações bancárias, exatamente como a antiga Contribuição
Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). A última idéia que
ocorreria em um País sério que passa por uma recessão seria enxugar sua
liquides, mas no governo Dilma tudo pode. O ministro defende uma alíquota de
pelo menos 0,38%, o último percentual da CPMF, que vigorou por dez anos e
acabou em 2007, quando foi derrubada pelo senado. Segundo ele, o Sistema
Único de Saúde (SUS) precisa de mais dinheiro. O imposto deveria nascer com
um novo e pomposo nome – CIS (Contribuição Interfederativa da Saúde) – e
arrecadar até R$ 85 bilhões por ano. Diferente da CPMF, cuja arrecadação era
destinada somente para o governo federal, a nova proposta previa a divisão
dos recursos entre municípios, estados e governo federal – “tudo tem que ser
investido em saúde”, sic. A gestão do PT desarranjou as finanças públicas e
gastou além da conta para se reeleger. Segundo o governo, a saída era
transferir renda do setor privado para o público. Para que entrasse em
vigor, teria que ser aprovada no Congresso em dois turnos, o que seria
impossível, até pelo posicionamento dos presidentes do Senado, Renan
Calheiros e da Câmara, Deputado Eduardo Cunha. Na guerra do retorno da
CPMF, podia-se imaginar que a faca e o queijo estejam na mão de deputados e
senadores. Mas talvez não estivesse, pois carecem sobretudo de autoridade
para empreender uma cruzada contra o avanço imoral do esfarrapado Estado
brasileiro para dentro do bolso roto do cidadão. Opor-se à CPMF poderia até
ser entrar em guerra ganha, mas pelo menos seria agarrar mais uma
oportunidade que a história nos dá de fazer algo que possa ser considerado
digno, de uma oposição decente e sensata! Tomara Deus que deputados e
senadores não fossem confundidos com trombadinhas. Bastam lideranças
comprometidas focadas no bem comum, e não o aumento de impostos. Trágica e
estapafúrdia a idéia de Dilma em ter sonhado com a CPMF de novo, seja lá com
que roupagem que tivesse, mais uma pérola desse desgoverno moribundo. Dilma
e o governo estão perdidos.