PARALIMPÍADAS E POBREZA

As Paralimpíadas entraram no calendário mundial como uma grande festa
do esporte internacional, celebrando a inclusão, a superação individual e
coletiva. A média dos brasileiros é mais permeável a inclusão, ao fim da
descriminação e do preconceito, seja já qual, porém, com o desgoverno dos
últimos anos excluímos mais que incluímos. Na verdade desandou, hoje
chafurdamos num mar de corrupção, desemprego e incertezas. Ressurge no
cenário nacional a classe dos excluídos sociais, os outrora chamados
“descamisados”, os que beiram a linha da pobreza. Sem incluir os cerca de
60 milhões de brasileiros que vivem com no máximo R$ 2,50 / dia, não haverá
futuro para o País, para as empresas e para o próprio capitalismo. A
fartura de poucos e a impossibilidade de sobrevivência dos excluídos, exige
que governo e iniciativa privada reformulem suas estratégias, de modo a
oferecer produtos e serviços para essa massa sem esperança. O Brasil vive
um momento parecido com o período entre 1914 e 1945, quando as guerras
mundiais, a depressão econômica, o fascismo e o comunismo quase eliminaram o
Capitalismo da face da Terra. O quadro é semelhante, pois governos e
empresas estão em guerra contra inimigos como o terrorismo internacional, os
movimentos antiglobalização e a miséria. A maioria das empresas trabalham e
voltam-se para os 800 milhões de pessoas ricas ou de classe média, que
vivem com rendimentos superiores a R$ 150 / dia, e que consomem 80% da
energia e dos recursos naturais da Terra. A estratégia antiga de vender para
as elites e para a classe média emergente não trará opções e possibilidades
de crescimento ou sobrevivência ao capitalismo. Para crescer, será preciso
criar negócios inclusivos, por meio do qual, governo, setor privado e as
comunidades construam valores comuns, abarcando esse imenso mercado de
pobres. Por exemplo, um dos meios mais poderosos de inclusão seria
incorporá-los em suas cadeias de fornecedores. O entendimento pleno da
existência de 60 milhões que passam pelos fantasmas da pobreza como fome,
falta de saneamento básico, analfabetismo, doenças infecciosas, falta de
moradia e todos outros males terríveis, pode ser a chave da Inclusão
Social, e da salvação do atual modelo capitalista. A inclusão geral tem
de ser uma das metas do novo governo brasileiro. Vamos cobrar e insistir.