VIOLÊNCIA E A GUERRA URBANA

Estamos em plena guerra urbana. A violência pune o cidadão comum e
privilegia os marginais que nos fazem reféns. Todos os dias o noticiário
policial vem acumulando um repertório trágico de crimes cada vez mais
próximos do cidadão comum. O crime parece se organizar em velocidade
superior a lei. De forma audaciosa elegeram nossos policiais como as vítimas
do momento. Nossa sociedade parece doente e apodrecida. Embora os crimes
bárbaros continuem ocorrendo em todas as partes do mundo, as penas vêm se
tornando cada vez mais brandas. Dizer que a pobreza, por si só, leva ao
crime é insultar os muitos milhões de pobres que, apesar das agruras, levam
sua vida de forma honesta. Medidas sócio-educativas são de fato a solução,
mas remediaria o problema a médio e longo prazo. Resta-nos outra opinião
recorrente: Tudo não se resolveria imediatamente com penas mais severas? O
mito de que “no passado era melhor” é tentador e muitos recorrem a ele uma
visão idealizada sobre os tempos que se foram. Trata-se de visão nostálgica
e romântica. Fato é que no passado, tanto o recente como remoto, os
criminosos tinham medo da lei. De alguma forma temiam as penas, temiam as
forças públicas, hoje infelizmente não mais. Consta que nossos celebrados
bandeirantes costumavam punir os insurretos amarrando-os em árvores e
mergulhando-os, lentamente, em rios infestados de piranhas, para que fossem
devorados aos poucos, antes de morrer. Os demais condenados eram amarrados
na roda e sofriam bastante antes de morrer, com espancamentos e afogamentos.
Pouca gente sabe, mas a terrível guilhotina foi inventada e adotada com fins
humanitários. Ela poupava a dor dos supliciados porque matava
instantaneamente. A crucificação foi adotada pelo Império Romano para punir
seus dissidentes justamente por ser a forma conhecida mais cruel da época. O
crucificado morria lentamente, por asfixia progressiva. As execuções, até o
século 20, eram realizadas em praça pública. Não precisamos mais disso tudo,
mas algo precisa ser feito imediatamente. Punições mais severas e,
principalmente, a certeza de ser punido – levam o criminoso a pensar duas
vezes antes de agir e respeitar a lei. Outra questão é a da maioridade
penal. A simples redução da idade não é solução definitiva para nada, mas
não entendo por que nossos renitentes defensores ditos direitos humanos se
apegam tanto à idade mínima de 18 anos. Esse tema virou tabu e não dá para
compreender porque não se discute o tema sob um prisma mais racional. Chega
de indulgência. Não há meio termo. A vida nos obriga a escolhas difíceis. A
verdade é que quem se compadece dos lobos condena à morte as ovelhas.