NOVO GOVERNO, VELHOS HÁBITOS

Na prática, Michel Temer vem se mostrando um antiquado político
mantendo apaziguados debaixo das asas. Ele e seus cúmplices parecem não se
importar com a opinião pública. Os Movimentos Brasil Livre (MBL) e o Vem
Pra Rua, já marcaram manifestações nacionais para 26/03/17 com pauta que
abordará “o bom andamento” da Lavajato, o fim do foro privilegiado e o fim
do estatuto de desarmamento e pela reforma trabalhista e da previdência.
Temer vem mantendo um ritmo sonolento nas reformas do País, como por
exemplo na Previdência Social, Leis Trabalhistas (CLT) e nos ajustes
fiscais. O presidente pode não terminar seu mandato, ou entrar para história
como maior reformistas da república, ou talvez ainda, ser lembrado como
aquele mandatário que poderia ter mudado o Brasil e não o fez. Incontestável
a boa intenção de Temer, mas como a boa raposa não perde seus hábitos, ele
não o perderia, mesmo com o Brasil em ruínas. Numa tentativa insana de
agradar a todos seus pares em busca de coalizão que o legitime no poder, o
inexpressivo, sem carisma e impopular “líder” mostra estar disposto a
comprometer sua reputação, ou o que ainda resta, para manter-se no Palácio
do Planalto. Cercado de velhos políticos impregnados com hábitos pré
ditadura militar, arrisca a própria pele em seu dia a dia. A delação
premiada dos executivos da Odebrecht deverá fazer uma devassa no primeiro
escalão do executivo e legislativo. É bem verdade, Temer surpreendeu ao
montar sua equipe econômica, dando a entender, pelos nomes de peso
escolhidos, que trataria de forma séria e austera as correções no
funcionamento da máquina pública que conduzissem ao reequilíbrio das contas,
e assim vem fazendo. Aliás, comparado com os demais ministérios e suas
nomeações indevidas e estapafúrdias, a Fazenda foi a rara exceção, tendo
sido premiada com a indicação de Henrique Meirelles como ministro. Assuntos
estratégicos e técnicos, como o equilíbrio das contas públicas, não podem
estar submetidos aos desejos insaciáveis de políticos inescrupulosos que
pretendem tomar ou se manter no poder a qualquer custo. Por enquanto, parece
que ainda teremos que conviver com este novo governo de hábitos tão velhos,
porém está provado que o “povo unido jamais será vencido”, e que temos o
poder de fazê-los fazer o certo, ou sacá-los democraticamente de suas
posições. Vamos para rua e que Deus nos apóie!